sábado, 21 de novembro de 2009

Pai, Mãe e a quem possa interessar:

O meu único suicídio seria entregar o meu pescoço a Edward Cullen...
Mas sei que vos assustei de verdade na Quinta-feira.
É a parte em que tenho de vos pedir desculpa.
Às vezes penso que tudo seria mais fácil se tivesse essa coragem, ou cobardia...
Qual das duas será? Penso que talvez seja mais corajoso o viver, ou o sobreviver, dependendo da visão que tenham da minha fraca existência.
Gritei e ainda assim acho que não me ouviram, é a queixa que tenho a fazer.
Nos últimos tempos tenho vivido na corda bamba e isto aplica-se a quase tudo na minha vida, sentimentos, trabalho, monetariamente e até psicologicamente. Mas a parte dos sentimentos e do psicológico como não são coisas que se possam ver só de olhar, mais uma vez vos passou ao lado.
Acho que sempre vos passou, talvez não à Mãe, mas se não vos passou nunca souberam lidar com isso... Nem eu sei pelos vistos...
Tenho a minha quota parte de culpa nisto, por pensar que talvez não tenha deixado que vocês me "lessem" nesse ponto. Mas são meus pais bolas! Nem eu consigo contar sem passar pelas partes mais intimas...
Não sou a melhor das filhas, sempre viram o meu lado obscuro, o ouvir Bauhaus às escuras no quarto (enquanto tantas vezes chorava), o vestir-me sempre de preto (que ainda hoje tentam que eu vista outras coisas), o entrar muda e sair calada... Sempre viram como rebeldia...
O facto de eu tardar a saída da escola ou o não arranjar um emprego... Sempre o viram como preguiça
E agora que tenho um emprego, que até faço o que gosto, que tenho casa comprada... De que me serve isso se continuo dependente financeiramente de vocês?
Não tenho sido grande fonte de orgulho, agora que vi isto escrito...
Sou uma pessoa inteligente, é das poucas coisas que sei, mas não sou esperta...
Penso se não seria mais fácil ser "burra", completamente adaptada a um destino com pouca sorte.
Namorei três anos e meio, depois quatro e meio e depois à terceira desisti de esperar por tempos melhores e casei-me, qualquer coisa depois de oito anos teria de ser vivida em pleno e durou sete anos e meio... Poucas pessoas sabem o porquê de ter acabado, mas para vocês que ainda não o entenderam, não foi uma coisa de ânimo leve.
E agora que me vêem com uma mesma pessoa já à um ano talvez pensem que um novo caminho, talvez melhor, se esteja a abrir para mim... não está! Chamo-lhe namorado, mas é unilateral. Ele gosta de mim, talvez até me ame sinto isso, mas tem uma vida tão ou mais complicada do que a minha e nem ele nem eu temos certezas de nada. Ah! outra coisa não verbalizada...
Nem nisto tenho sido a menina exemplar... Menina com quase 36 anos...
Ainda assim, depois de ter a certeza que muita gente estaria melhor se eu não existisse, acho que vale a pena continuar a viver para que um dia, talvez um dia, volte a ter a sensação boa de vos ver, como à vinte anos atrás, a levantarem-se da cadeira e gritar bis e bravo... Nunca mais senti isso foi uma one time only.
Não tenho um emprego seguro, não tenho um namorado seguro, não tenho dinheiro para nada, nem tão pouco tenho a minha cabeça sã, mas não terei nada nem serei nada se não vos tiver a vocês e aí incluo o meu irmão, esse sim fonte de orgulho para todos nós. Vocês por quem tenho um Amor incondicional e sem qualquer dúvida.
Perdoem-me um dia o não ser como vocês gostariam que eu fosse...
Perdoem-me um dia o não saber ter a calma necessária...
Perdoem-me um dia o mal todo que achem que cometi...
Ou simplesmente perdoem-me um dia o ser eu, com todos os meus defeitos.
Mas para já podem perdoar o susto que vos preguei.
Viver é mais díficil e eu sou masoquista.
Beijo gordo,
A vossa filha

1 comentário:

  1. Achei um texto muito bonito e sincero!
    Sou filho e revi-me na maior parte do texto!
    Tambem sou pai e cheguei-me a comover com algumas coisas que disseste!

    ps: por acaso apercebi-me que pudesses estar a falar do Cullen, claramente identifiquei esse universo, após um dia me teres confessado que curtias a hanna montana!!!AHAHAHAHAHAHHA

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